segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Vida Secreta de Walter Mitty, A

The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013. Direção: Ben Stiller. Roteiro: Steve Conrad, com base no conto de James Thurber. Elenco: Ben Stiller, Kristen Wiig, Sean Penn, Shirley MacLaine, Adam Scott. Duração: 114 min. Lançamento no Brasil: 20 de dezembro de 2013, nos cinemas.

Em seus vários objetivos, a sétima Arte é palco para reflexão. Refletir seu tempo e gerar reflexão no espectador, seja ela sobre o que for. Ben Stiller, enquanto cineasta, tem este segundo objetivo como o grande fôlego para sua nova obra, A Vida Secreta de Walter Mitty.

Baseado num conto clássico de James Thurber e reimaginação de um longa de 1947, aqui, somos convidados a acompanhar a jornada de Walter Mitty (Ben Stiller, de Roubo nas Alturas), um homem cuja vida está um tanto frustrante. Trabalhando há 16 anos na sessão de negativos da revista Life, agora prestes a fechar para ganhar novas edições apenas online, ele não tem grandes motivações fora de seu emprego, não tem coragem de falar com a mulher por quem se interessa, Cheryl (Kristen Wiig, da série Saturday Night Live) e prefere manter-se calado quando é ofendido por alguém, além de passar boa parte de seu tempo sonhando enquanto deveria estar fazendo mais. Em mais um dia de serviço, o rapaz acaba descobrindo, em seu departamento, o sumiço do negativo que estampará a capa da última edição impressa da revista, enviada pelo renomado - e aparentemente nômade - fotógrafo Sean O'Connell (Sean Penn, de Caça aos Gangsteres), e que, caso este não seja encontrado, ocasionará sua demissão; mas sequer há conhecimento do paradeiro de Sean, para buscar a fotografia com ele, o que combate as esperanças. Mas especialmente graças à coragem finalmente tê-lo atingido e Walter agora estar desenvolvendo uma relação de amizade com Cheryl, ele sente-se motivado a fazer o que for preciso para encontrar o fotógrafo, indo atrás de pistas que o levam à Groenlândia, onde viverá sua primeira experiência realmente memorável.

Cada pequeno sonho nos motiva a seguir em frente por nossos objetivos, e espanta-me como alguém de sonhos tão grandiosos aja tão pouco, mas este homem imprevisivelmente previsível é Walter, satisfeito com a monotoneidade atingida por sua vida, cujoso sonhos são apenas ilusões. Mas se há algo mais que nos motiva a lutar pelo que desejamos, este algo é o amor. Acima de tudo, A Vida Secreta de Walter Mitty trata-se de uma história de amor. Não, não temos uma trama motivada a narrar a conquista romântica de seu protagonista, mas sim das novas motivações e esperanças provocadas por um romance, aflorador e refrescante para o coração daquele homem desmotivado e acomodado. Ás vezes, um choque de esperança faz-se necessário para que deixemos as ilusões um pouco de lado, assim dedicando-nos a agir, verdadeiramente.

Claro, a eficácia de suas mensagens positivas não livra a produção de determinados erros, concentrados especialmente no modo como a abordagem dos sonhos do personagem é feita. Durante o primeiro ato, temos um estabelecimento do exagero de Walter em sonhar, durante todos os momentos e situações, com isto esquecendo-se por muitas vezes da realidade, mas o roteiro insere um excesso de sequências para representar isto - algumas, como aquela em que ele briga com o chefe e a cidade torna-se um de vídeo game ou a brincadeira com Benjamin Button, por exemplo, extrapolam mesmo o surrealismo proposto -, além da direção de fotografia, assinada por Stuart Dryburgh (de Não Sei Como Ela Consegue), não preocupar-se em estabelecer uma mudança em seus tons para diferenciar a realidade dos sonhos, o que inicialmente poderá causar estranhamento no espectador. Este ato inicial, por conta disto, acaba tornando-se um pouco problemático, mas depois dá espaço à superação da película.

Existem filmes cuja abordagem reflexiva junto ao espectador reside em criar um clima pesado, para incomodá-lo, chocá-lo, e assim manter-se em sua mente para gerar as reflexões necessárias - Amor e Os Suspeitos são dois exemplos recentes. Outros, como A Vida Secreta de Walter Mitty, contam com um clima agradável, alto-astral, tornando-se aconchegante, de certa forma, para que o espectador envolva-se com suas mensagens e aplique-as às próprias experiências vividas. A missão foi cumprida. Está certo, em determinados momentos, a falta de sutileza no trabalho de Stiller como diretor por vezes exagera na expositividade em passar suas mensagens - o público não precisa ler escritos numa pista por onde o avião de Mitty passa para compreendê-las, por exemplo -, aproximando-se perigosamente do estilo de um livro de auto-ajuda que escancara-as para seus leitores. Ainda assim, o trabalho consegue fascinar, desde o minimalismo na interpretação que Stiller confere ao seu protagonista - comprovando seu amadurecimento como ator -, tornando o personagem ainda mais complexo e interessante; passando pelas determinadas inserções de surrealismo, que após o estranhamento inicial, tornam-se sempre interessantes e divertidas, e finalizando no deleite visual provocado pelas locações escolhidas pela produção, que encaixam-se perfeitamente na criação da abordagem reflexiva procurada pela película, crescendo ainda através das escolhas da fotografia, predominante e eficientemente utilizando cores frias.

Os méritos do longa ainda atinge sua dosagem perfeita entre o humor - sutil - e o drama - jamais excessivamente denso -, aplicando-se nesta jornada de conhecimento pessoal da melhor forma possível e diferindo-se do que poderia ser erroneamente previsto para uma obra assinada por Ben Stiller, comprovadamente mais maduro enquanto cineasta, por mais que ainda cometa certos erros. A moral da "importância de ser feliz", nos tempos atuais, está constantemente relacionada aos falhos argumentos burgueses, na busca por ignorar os problemas sociais que ocorrem à sua volta e muitas vezes em sua responsabilidade com a desculpa da felicidade ser a única coisa realmente importante. Mas A Vida Secreta de Walter Mitty, ainda que conte com certas concessões neste sentido - o personagem-título utiliza-se de seu poder aquisitivo para realizar sua jornada, por menos que isto seja mencionado -, também trata-se do desapego da necessidade de manter-se completamente centrado num trabalho que não o satisfaz e dos bens materiais para realizar esta viagem - repare como ele não leva roupas ou outros bens o local, ainda que fosse necessário -, onde localiza-se realmente a beleza do filme - ganhando ainda pontos por fugir do lugar-comum, onde provavelmente inspirações religiosas seriam atribuídas às novas atitudes do personagem. Motivado pelo amor, pela necessidade de agir e motivado por si próprio, como Sean O'Connell comprova para Walter. Em sua viagem, ele não explorou as belezas encontradas na Groenlândia, ou seja lá mais onde for, mas explorou a si mesmo, suas capacidades e seus ideais. E nos entregou uma experiência absolutamente agradável e bela.

A mensagem passada para o espectador será subjetiva, estando diretamente relacionada com experiências passadas e atuais vividas por cada um, para assim gerar as inspirações buscadas - comigo funcionou muito bem, por exemplo. Se um choque de esperança fora necessário para Walter Mitty agir e ir atrás de seus objetivos, muitas vezes uma obra artística como A Vida Secreta de Walter Mitty entrega o necessário para mexer com o coração do espectador e levá-lo a fazer o mesmo, ainda que em menores proporções. Sendo assim, a missão já estará cumprida.

[Avaliação Final: ***¹/2]


Até a próxima.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Última Viagem a Vegas

Last Vegas, EUA, 2013. Direção: Jon Turteltaub. Roteiro: Dan Fogelman, com base no próprio argumento. Elenco: Michael Douglas, Robert De Niro, Morgan Freeman, Kevin Kline, Mary Steenburgen, Jerry Ferrara, Romany Malco, Roger Bart. Duração: 105 min. Lançamento no Brasil: 06 de dezembro de 2013, nos cinemas.

A reunião entre os veteranos Michael Douglas (Wall Street - Poder e Cobiça), Morgan Freeman (Um Sonho de Liberdade), Kevin Kline (Um Peixe Chamado Wanda) e Robert De Niro (Os Bons Companheiros) gerava expectativas simplesmente por unir estes nomes, ainda mais por engrossar a lista de sucessos recentes estrelados por atores mais experientes e focado nas audiências também mais experientes, por assim dizer. A nostalgia provocada através destes fatores funciona como um trunfo adicional para produções assim, portanto Última Viagem a Vegas surpreende por não utilizar deste truque tanto quanto poderia.

Billy (Douglas), Archie (Freeman), Sam (Kline) e Paddy (De Niro) eram quatro grandes amigos na época de infância, mas como acontece em muitos casos, foram perdendo parte do contato com o tempo, falando atualmente apenas - e por telefone - quando algo de muito importante acontece com algum deles; foi o que aconteceu desta vez. Enquanto os outros estão vivendo de forma mais calma e simples nesta altura da vida, Billy continua mais na ativa, em melhores condições financeiras e está prestes a se casar com uma mulher que tem cerca de metade da sua idade, em Las Vegas, quando decide convidar dois dos velhos amigos, Archie e Sam, para ir à cerimônia. Os dois, sedentos por tirar mais proveito da vida, avisam ao amigo que não só irão, como organizarão sua despedida de solteiro da forma mais descontrolada e proveitosa possível, para voltarem aos velhos tempos. Mas para os "Quatro de Flatbush" estarem reunidos, ainda falta Paddy, que está hesitando em aceitar a viagem por seus problemas mal resolvidos com o futuro noivo, mas no final das contas, seus amigos acabam convencendo-o a ficar, e o conflito de gerações aliados à muita confusão já estão marcados para começar.

A premissa poderá te remeter a uma espécie de Se Beber, Não Case! com medalhões, mas a proposta do longa, dirigido por Jon Turteltaub (Aprendiz de Feiticeiro), diferencia-se bastante. Aqui, temos uma comédia familiar, sem tantas picardias sendo evidenciadas para o espectador nessa aventura em Las Vegas - apesar de haver, sim, algum momento mais adulto -, e que busca um maior nível de reflexão e profundidade do que a comédia da ressaca, partindo para isto justamente da questão da idade de seus personagens para isto. 

É interessante notar como o roteiro de Dan Fogelman (Amor a Toda Prova), apesar de bem simplista, procura abordar a questão de seus protagonistas serem mais velhos na época deste evento não apenas para realizar piadinhas a partir deste conflito de gerações e costumes como é evidenciado durante esta viagem a Las Vegas - apesar de também explorá-la para isto, claro -, mas também para elevar um pouco a profundidade de seus personagens, que, graças à ocasião, acabam sendo levados a refletir sobre suas próprias vidas, cuja fase avançada é endurecida à sua frente quando se reencontra um amigo de tempos passados e percebe-se como tudo mudou para cada um.

O que não significa que este mesmo roteiro tenha a maturidade necessária para trabalhar com o tema da melhor forma, ainda que ele aprimore a abordagem dramática conforme a trama se desenvolve até seu ato final. O problema é que, no início, as tentativas dramáticas de Última Viagem a Vegas soam artificiais - culpa não apenas do texto, mas também de sua execução -, com o conflito entre os personagens de Douglas e De Niro sendo mencionados durante todo o tempo, mas jamais explicado. Os dois se estranham e o ítalo-americano está sempre emburrado, mencionando que Billy é um "cretino" e "não tem tempo para o que realmente importa" repetidas vezes e até na frente de estranhos, sem qualquer razão, mas jamais aprofundando-se neste problema mal resolvido. O conflito soa imaturo e, como dito, artificial, mas não por muito tempo - ainda bem. A partir de quando o espectador recebe a devida explicação sobre este, fica mais fácil compreender os sentimentos dos personagens e se envolver com o drama. Nos momentos em que o foco dramático da produção concentra-se nas observações dos personagens, no entanto - próximos ao desfecho, especialmente -, é que esta alcança seu ápice dramático, ainda que a estrutura para sua construção tenha sido piegas - especialmente na trilha sonora -, é possível se envolver mais com estes conflitos - há até um quê de Conta Comigo -, na melancolia de notar como mesmo as maiores amizades se perdem com o tempo, mas paralelamente, nas alegrias de perceber que sua força pode ser maior até que a de uma paixão - justamente o que foi comprovado por Billy e Paddy, ainda na infância.

Os problemas enfrentados na construção dramática raramente são repetidos na face cômica da fita, que é surpreendentemente divertida e terá algumas de suas cenas figurando facilmente em listas dos momentos mais engraçados que o Cinema nos trouxe este ano. 

Não há muito em que inovar quando se trata das gags que podem ser exploradas a partir deste argumento - estas são predominantemente relacionadas à idade avançada dos protagonistas, com doenças e tudo mais, e às caóticas experiências vividas em Vegas, logo, não fogem do esperado -, e existe aquela básica repetição de algumas piadas que costuma ocorrer nas produções norte-americanas, mas o diretor é extremamente sábio em relação ao trabalho com seu elenco, deixando-os claramente à vontade para fazerem o que bem sabem, mas são especialmente os dois nomes mais abaixo no pôster que roubam a cena neste quesito: Morgan Freeman e, especialmente, Kevin Kline. Se os mais consagrados, por assim dizer, Michael Douglas e Robert De Niro, realizam trabalhos mais sérios conforme a linhagem de seus papéis pedem, são estes dois citados os responsáveis pelas cenas mais divertidas do longa. Extremamente confortáveis em seus personagens, os dois atores entregam-se ao ridículo e ao humor físico quando necessário, fazem piadinhas com os colegas e entregam uma excelente química. Provável nome menos conhecido entre os protagonistas, Kevin Kline rouba todas as cenas em que aparece, sendo de longe o maior destaque do elenco, seguido por Freeman. Ainda que seja responsável pela sub-trama dramática, Paddy surge inicialmente como o personagem menos interessante da película, e De Niro não tem muito a fazer além de resmungar - papel do resmungão, no qual o ator se especializou em fazer nas comédias dos últimos anos -, mas também melhora com o desenvolvimento e consegue até roubar a cena quando brinca com seu estereótipo antigo de mafioso; esta é uma produção bem mais digna do que a maioria das recentes nas quais se propôs a participar. Michael Douglas também não tem muito a fazer, mas funciona bem no papel do playboy que se recusa a crescer. O filme certamente será capaz de provocar boas gargalhadas na platéia de sua sessão, especialmente durante a primeira metade.

A direção de Arte, provavelmente pelo orçamento relativamente limitado da produção, dificilmente tem um trabalho maior na reprodução dos clássicos cenários de Las Vegas, uma vez que há poucas sequências retratando ambientes maiores, como os cassinos consagrados. A trilha sonora, como breve e anteriormente mencionado, realiza um trabalho bem piegas nos momentos dedicados ao drama, mas consegue ao menos evitar a utilização de certas canções para evocar o sentimento nostálgico no espectador de forma barata. Voltando a este mesmo quesito dramático, surge mais um dos méritos do roteiro, pois este não esfrega na cara do espectador as lições de moral que claramente tenta passar, o que torna-o mais inteligente, ainda que continue bem simples - há até um furo ou outro, como o momento no qual Paddy se contradiz sobre sua vizinha, que antes era uma garota boa para uma sopa ruim, e depois se torna o contrário, mas em nenhum momento isto prejudica a boa experiência.

Talvez, esta simplicidade seja o grande triunfo de Última Viagem a Vegas sobre a maioria de seus concorrentes de gênero durante este ano: sem grandes pretensões alçadas, o longa consegue divertir conforme o esperado e ainda entregar um pouco a mais através de seus dramas. 

[Avaliação final: ***¹/2]

Até a próxima.

Previsões para o Oscar 2014

Oscar começa bem antes dos indicados saírem, e desde o anúncio de determinados projetos, já se pode dizer "tal filme tem cheiro de Oscar"; a partir daí, começa o aquecimento para a premiação. Mas quando as primeiras premiações - normalmente de críticos americanos - começam a divulgar seus vencedores, passa a ser possível ter uma bom esboço de como será a próxima cerimônia da Academia. Você provavelmente já sabia disso, mas tudo bem.

Já que este momento chegou, o Cinema Voador também entra na corrida das previsões para o Oscar 2014. Esta lista será atualizada constantemente até o anúncio dos indicados, quando surgirão novas apostas a partir das informações conhecidas. Para que ela não se perca em meio às novidades do blog, haverá um marcador específico para esta postagem, que poderá ser acessado através da barra localizada na direita da tela, que facilitará o acesso à lista. Deixei apenas as apostas, de forma objetiva, em todas as categorias - com exceção das dedicadas à documentário e curtas-metragens, das quais se tem poucas informações para prever -, e gosto de frisar que a lista de apostas para os indicados está ordenada de acordo com as chances de indicação de cada título, partindo de nossas previsões. Confira:

          
Quatro títulos com força na lista, segundo o Cinema Voador.

Prováveis indicados a Melhor Filme:
  • 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave), de Steve McQueen
  • Trapaça (American Hustle), de David O.Russell
  • Gravidade (Gravity), de Alfonso Cuarón
  • Capitão Phillips (Captain Phillips), de Paul Greengrass
  • O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street), de Martin Scorsese
  • Ela (Her), de Spike Jonze
  • Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club), de Jean-Marc Vallée
  • Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr.Banks), de John Lee Hancock
  • Nebraska, de Alexander Payne
  • Quem corre mais próximo: Álbum de Família, de John Wells, ou Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen
Prováveis indicados a Melhor Direção:
  • Steve McQueen, por 12 Anos de Escravidão
  • Alfonso Cuarón, por Gravidade
  • David O.Russell, por Trapaça
  • Alexander Payne, por Nebraska
  • Martin Scorsese, por O Lobo de Wall Street
  • Quem corre mais próximo: Paul Greengrass, por Capitão Phillips
Prováveis indicados a Melhor Ator:
  • Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas
  • Bruce Dern, por Nebraska
  • Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
  • Tom Hanks, por Capitão Phillips
  • Robert Redford, por Até o Fim
  • Quem corre mais próximo: Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street ou Christian Bale, por Trapaça
Prováveis indicadas a Melhor Atriz:
  • Cate Blanchett, por Blue Jasmine
  • Sandra Bullock, por Gravidade
  • Emma Thompson, por Walt nos Bastidores de Mary Poppins
  • Meryl Streep, por Álbum de Família
  • Amy Adams, por Trapaça
  • Quem corre mais próxima: Judi Dench, por Philomena
Prováveis indicados a Melhor Ator Coadjuvante:
  • Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
  • Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão
  • Barkhad Abdi, por Capitão Phillips
  • Will Forte, por Nebraska
  • Daniel Brühl, por Rush - No Limite da Emoção
  • Quem corre mais próximo: John Goodman, por Inside Llewyn Davis ou James Gandolfini, por À Procura do Amor
Prováveis indicadas a Melhor Atriz Coadjuvante:
  • June Squibb, por Nebraska
  • Lupita Nyong'O, por 12 Anos de Escravidão
  • Jennifer Lawrence, por Trapaça
  • Oprah Winfrey, por O Mordomo da Casa Branca
  • Julia Roberts, por Álbum de Família
  • Quem corre mais próxima: Sally Hawkins, por Blue Jasmine
Prováveis indicados a Melhor Roteiro Original:
  • Eric Singer David O.Russell, por Trapaça
  • Spike Jonze, por Ela
  • Joel e Ethan Coen, por Inside Llewyn Davis
  • Bob Nelson, por Nebraska
  • Woody Allen, por Blue Jasmine
  • Quem corre mais próximo: Alfonso e Jonas Cuarón, por Gravidade
Prováveis indicados a Melhor Roteiro Adaptado:
  • Terence Winter, por O Lobo de Wall Street
  • John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
  • Billy Ray, por Capitão Phillips
  • Tracy Letts, por Álbum de Família
  • Steve Coogan e Jeff Pope, por Philomena
  • Quem corre mais próximo: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, por Antes da Meia-Noite
Prováveis indicados a Melhor Filme de Animação:
  • Frozen - Uma Aventura Congelante (Frozen), da Walt Disney Pictures
  • Vidas ao Vento (The Wind Rises), da Walt Disney Studios
  • Os Croods (The Croods), da Dreamworks Animation
  • Ernest&Celestine, da GKids
  • Universidade Monstros, da Pixar
Prováveis indicados a Melhor Filme Estrangeiro:
  • A Caça (Jagten) - Dinamarca
  • Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown) - Bélgica
  • A Grande Beleza (La Grande Bellezza) - Itália
  • O Grande Mestre (The Grandmaster) - Hong Kong
  • Um Episódio na Vida de um Catador de Ferro-Velho - Bósnia
Prováveis indicados a Melhor Fotografia:
  • Roger Deakins, por Os Suspeitos
  • Emmanuel Lubeski, por Gravidade
  • Phedon Papamichael, por Nebraska
  • Frank G. DeMarco e Peter Zuccarini, por Até o Fim
  • Stuart Dryburgh, por A Vida Secreta de Walter Mitty
Prováveis indicados a Melhores Efeitos Visuais:
  • Gravidade
  • O Hobbit: A Desolação de Smaug
  • Homem de Ferro 3
  • Elysium
  • Círculo de Fogo
Prováveis indicados a Melhor Trilha Sonora:
  • Hans Zimmer, por 12 Anos de Escravidão
  • Alex Ebert, por Até o Fim
  • Thomas Newman, por Walt nos Bastidores de Mary Poppins
  • Steven Price, por Gravidade
  • John Williams, por A Menina Que Roubava Livros
Prováveis indicados a Melhor Montagem:
  • Thelma Schoonmaker, por O Lobo de Wall Street
  • Alfonso Cuarón e Mark Sanger, por Gravidade
  • Christopher Rouse, por Capitão Phillips
  • Joe Walker, por 12 Anos de Escravidão
  • Jay Cassidy e Crispin Struthers, por Trapaça
Prováveis indicados a Melhor Design de Produção:
  • Catherine Martin e Beverly Dunn, por O Grande Gatsby
  • Adam Stochausen e Alice Baker, por 12 Anos de Escravidão
  • Dan Hennah, por O Hobbit: A Desolação de Smaug
  • Simon Elliott e Mark Rosinski, por A Menina Que Roubava Livros
  • Michael Corenblith e Lauren E.Polizzi, por Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Prováveis indicados a Melhor Maquiagem e Penteados:
  • Trapaça
  • Clube de Compras Dallas
  • O Grande Gatsby
Prováveis indicados a Melhor Mixagem de Som:
  • Gravidade
  • Capitão Phillips
  • Até o Fim
  • O Grande Herói
  • Rush - No Limite da Emoção
Prováveis indicados a Melhor Edição de Som:
  • Gravidade
  • Até o Fim
  • Rush - No Limite da Emoção
  • Capitão Phillips
  • 12 Anos de Escravidão
Prováveis indicados a Melhor Canção Original:
  • Ordinary Love, de Mandela: Long Walk to Freedom
  • Young and Beautiful, de O Grande Gatsby
  • Let it Go, de Frozen - Uma Aventura Congelante
  • To Moon Song, de Ela
  • Please Mr.Kennedy, de Inside Llewyn Davis

Estas são as apostas finais e definitivas. Amanhã as indicações serão divulgadas e atualizamos esta lista, com os nomes definitivos que estarão na corrida pelo Oscar 2014, e então temos novas apostas, desta vez para tentar descobrir quem vencerá cada prêmio.

[Última atualização: 15/01/2013]

Até a próxima.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Vovô Sem Vergonha

Jackass Presents: Bad Grandpa, EUA, 2013. Direção: Jeff Tremaine. Roteiro: Johnny Knoxville e Jeff Tremaine, com base no argumento de Spike Jonze, Fax Bahr, Adam Small e dos próprios. Elenco: Johnny Knoxville, Jackson Nicoll, Greg Harris, Spike Jonze, Georgina Cates. Duração: 92 min. Lançamento no Brasil: 29 de novembro de 2013, nos cinemas.

Se humor é algo extremamente subjetivo, poderia dizer que nunca digeri muito bem o que o Jackass realizava. O excesso de grosserias e a falta de sutileza e conteúdo nunca foram capazes de gerar risos legítimos em mim; o que torna este Vovô Sem Vergonha ainda mais interessante.

Com a presença do grupo cômico no comando da produção, o longa destoa-se da maioria dos produtos realizados por este, aqui narrando a jornada do velhinho Irving Zisman (Johnny Knoxville), recém-viúvo e agora informado de que sua filha voltará à prisão por uso de drogas, deixando para o patriarca a missão de levar seu filho, Billy (Jackson Nicoll), até o seu pai ausente e legítimo, que só aceitou cuidar da criança para receber o auxílio do governo - ele não esconde isto nem do próprio herdeiro -, mas para isto, terá de praticamente cruzar o pais, assim deixando o garoto em segurança e diretamente nas mãos do pai. Mas antes, creio ser necessário dizer que Irving provavelmente é a pessoa menos recomendada para acompanhar a criança neste caminho, sendo um exemplo de irresponsabilidade e capaz de gerar caos até nas situações mais corriqueiras de sua rotina. Você já pode esperar o que acontecerá nesta viagem.

Como dito no início, o humor é subjetivo e cada obra dedicada a ele encontra seu público no gosto que busca, através de sua proposta. No caso desta obra, não há muito espaço para o humor mais reflexivo ou refinado, o que consequentemente o impede de tornar-se uma experiência mais memorável, mas ao mesmo tempo, não significa seu enfraquecimento, afinal de contas, é necessário compreender que a proposta aqui é outra, a de gerar comédia da forma mais simples possível - através de situações constrangedoras -, sendo a partir disto bem sucedida ou não. É necessário compreender isto antes mesmo do início da sessão. Neste caso, temos um exemplo de sucesso - mas seguindo a proposta.

Comparando-se com as outras produções do Jackass, aliás, Vovô Sem Vergonha é até bastante refinado. Sai o ferimento de pessoas, animais e escatologias exageradas habituais do grupo, e entram apenas uma porção de situações constrangedoras que envolvem o velho e o garoto, como o roubo de um supermercado ou a tentativa de enviar a criança pelo correio, e especialmente focando-se na reação das outras pessoas ao que é provocado pela dupla, pois o longa trata-se de um experimento do chamado mockumentary - falso documentário, ao estilo Borat -, colocando os dois personagens em meio a pessoas reais, sem o conhecimento de que aquilo trata-se de um filme, o que pode gerar desde apenas olhares tortos até reais interferências para o andamento da estória narrada pela produção, o que torna-se responsável por boa parte da graça. Mas, ao compará-lo com os outros lançamentos do grupo e utilizar isto como elogio, não me refiro apenas ao humor mais leve, e sim à presença de uma trama muito mais elaborada aqui do que nos outros casos, onde há apenas uma série de esquetes com situações "cômicas", enquanto neste caso temos realmente o desenvolvimento de personagens e de um enredo que valha ser acompanhado integralmente. Chega de se ater a este tipo de comparação e vamos partir para a análise individual da fita, então.

Dentro da proposta de realização do falso documentário, o longa cai numa via de mão dupla, trazendo-o vantagens e desvantagens. Enquanto trabalhar com as situações incomuns em meio à realidade torna a proposta mais interessante e gera mais comicidade, também acaba levando o roteiro de Johnny Knoxville e Jeff Tremaine a cometer sérios erros por não esquecer de abordar mais profundamente as consequências. As situações são introduzidas e as primeiras reações influem, mas jamais vemos além disto, o que as deixa inacabadas - Irving rouba um supermercado e a dona do local começa a discutir com ele na calçada, mas jamais sabemos como a discussão terminou, pois o roteiro pula esta parte; e este é apenas um exemplo do que acontece mais vezes durante a projeção - e claramente influi para a continuidade do filme.

O texto também não economiza em diálogos expositivos - quando o avô e o pai brigam para ficar com o garoto, o personagem de Greg Harris repete exaustivamente que só deseja ficar com o filho para receber o auxílio financeiro, mastigando a informação para o espectador -, e a evolução moral do protagonista em sua relação com o neto é bastante previsível - no início, ele não deseja cuidar da criança e comete vários erros na missão, mas isto é superado com o tempo -, algo que demonstra a fragilidade da trama central, aparentemente lá apenas para auxiliar na concepção do humor. O trunfo desta, então, é que Vovô Sem Vergonha vai além de uma simples comédia de situações constrangedoras graças à relação entre os dois protagonistas, que apesar de evoluir previsivelmente, torna-se mais importante para o público do que as situações em si. Passamos a acompanhar o longa para ver o nascimento da amizade entre Irving e Billy, e o roteiro sabe explorá-la, utilizando algumas sequências e diálogos apenas para demonstrar o estreitamento dos laços entre a dupla, seguindo uma clássica estrutura de road movie em que relações desenvolvem-se durante uma viagem e estão diferentes no destino final em relação ao seu início. A trilha sonora também funciona muito bem no clima deste estilo cinematográfico.

E se Johnny Knoxville surge irreconhecível na pele do velhinho e funciona muito bem em sua composição dos trejeitos de um idoso caricato, quem rouba a cena por algumas vezes é o garoto que o acompanha, Jackson Niccol, dono de algumas sequências em que protagoniza a situação cômica, utilizando-se do cinismo infantil - como quando aborda pessoas na rua e começa a tratá-las como seus pais - em benefício de um ótimo timing cômico. Graças ao trabalho dos dois para dar vida a tantas trapalhadas e causar caos por onde passam enquanto vão tornando-se mais amigos, esta comédia dirigida por Jeff Tremaine torna-se uma das experiências mais hilárias que o Cinema nos trouxe este ano. Adaptando seu desenvolvimento de modo que as cenas dedicadas à exploração do mockumentary adaptem-se ao seu enredo e tornando seu humor mais leve do que o habitual para agradar a uma faixa maior de público, o longa entrega exatamente o que se propõe a fazer com honestidade e torna-se extremamente satisfatório para aquele que está a procura de boas gargalhadas.

Ainda conseguindo se livrar da armadilha de tornar sua fotografia uma imitação integral da atmosfera documental, Vovô Sem Vergonha comprova que não há problema em entregar uma produção que tenha como único objetivo a satisfação cômica, desde que ela cumpra bem com sua promessa, como neste caso. Mas a real e surpreendente validade desta produção é acompanhar o nascimento da amizade entre Irving e Billy - que ainda poderá render boas aventuras.

Observação: Os créditos dividem a tela com algumas cenas dos bastidores da produção, que apesar de terem como serventia provável apenas provar para o público que os envolvidos nas situações realmente não sabiam que tratava-se de um filme, são divertidas.

[Avaliação final: ***]

                                                  
Até a próxima.

Crô - O Filme

Crô - O Filme, Brasil, 2013. Direção: Bruno Barreto. Roteiro: Aguinaldo Silva. Elenco: Marcelo Serrado, Carolina Ferraz, Alexandre Nero, Milhem Cortaz, Ivete Sangalo, Ana Maria Braga. Duração: 80 min. Lançamento no Brasil: 29 de novembro de 2013, nos cinemas.

Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) foi um personagem de sucesso num folhetim televisivo da rede Globo, chamado Fina Estampa. Lá, ele aprontava das suas nas sub-tramas novelescas com espaço para bordões que faziam sucesso entre o público, alcançando o principal objetivo de uma novela e seus personagens. Mas o sucesso do mordomo foi grande a ponto de acreditarem no potencial que existia para a expansão de sua história, que seria transmitida através, desta vez, das telonas. O público certamente se sentiria atraído por continuar acompanhando Crodoaldo, e isto bastou para que Aguinaldo Silva, criador do personagem, escrevesse um roteiro a ser produzido pela Globo Filmes, dirigido por Bruno Barreto e lançado em circuito nacional na última sexta-feira. Mas não para garantir a boa qualidade da produção. Bem longe disto, aliás.

Para continuar a jornada do personagem-título, o longa remete ao desfecho da novela que revelou o personagem; naquela ocasião, na época, ainda mordomo havia ganho uma fortuna como único herdeiro da herança de sua ex-patroa, Teresa Cristina (Christiane Torloni, que não dá as caras por aqui), que Crô utilizou para comprar uma mansão em São Paulo, onde deixou de ser mordomo e passou a ter funcionários trabalhando para ele. Ainda que agora tenha todos os bens materiais que precisa, constantemente o afortunado sofre com pesadelos que trazem sua falecida mãe (Ivete Sangalo) de volta à vida para perturbá-lo, e graças a isto ele acaba descobrindo que não estará satisfeito enquanto não tiver novamente uma rainha para servir, e mesmo que não tenha necessidades financeiras pelo trabalho, não poderá deixar de ser mordomo, o que o motivará a realizar um concurso para escolher sua nova patroa. Entre as várias candidatas, está Vanusa (Carolina Ferraz), a cruel dona de uma fábrica de roupas que utiliza da mão-de-obra estrangeira escrava para sua produção, o que acaba sendo descoberto pelo protagonista e gerando sua ira.

Resgatando dentre os que já estavam presentes na novela, além do personagem-título, seus fiéis escudeiros Baltazar (Alexandre Nero) e Marilda (Kátia Moraes), acho admirável que Aguinaldo Silva, que também havia escrito a trama televisiva, esqueça-se de outros personagens com tão ou maior influência sobre a jornada de Crô para esta versão cinematográfica, ou mesmo que não pense sequer em expandir outros elementos de sua própria obra prévia, uma vez que o personagem principal não ganha qualquer tipo de aprofundamento em sua vida após os eventos da novela, preferindo narrar apenas um evento específico de sua vida - no caso, a trama da escolha da patroa e seus desencadeamentos -, ao invés de concentrar a narrativa num período mais abrangente da vida do mordomo, que certamente teria maior potencial para um enredo minimamente mais interessante. Uma pena, então, que o autor e roteirista claramente esteja apenas interessado na tentativa de desenvolver uma narrativa que explore ao máximo e de forma barata os ridículos do personagem já estabelecido para render mais algum dinheiro, e não em qualquer aprofundamento artístico maior a este mesmo personagem.

Uma pena que não ganhe o merecido, pois se há algo que se salve em Crô - O Filme é justamente aquele que dá nome ao filme, ou melhor, aquele que o interpreta. Por mais estereotipado e unidimensional que seja o personagem, fica bastante claro que Marcelo Serrado diverte-se ao movimentar-se exagerada e aceleradamente como este requer e pronunciar cada uma das ridículas frases e bordões soltos pelo recém-milionário; não somente ele, pois Alexandre Nero e seu Baltazar "Zoiudo" também enquadra-se na categoria dos que se divertem com um personagem fraco - repare como o roteiro enfatiza sem qualquer necessidade o fato do motorista estar o tempo todo nervoso e soltando comentários rabugentos, ainda que sem motivo -, mas Nero aparentemente se diverte com a irritação. Os contidos elogios não aplicam-se a Carolina Ferraz, por exemplo, que investe na vilã estereotipada sem qualquer esforço além de gritos e mais gritos, mas encontro ainda menos explicações para o fato de Milhem Cortaz, no papel de seu marido, investir num estereótipo de novela mexicana - com sotaque e algumas expressões, inclusive - para compor seu vilão; compreendo que seu nome, Riquelme, indique alguma relação latina com o personagem, mas não há necessidade de um overacting tão desconfortável. E se comprova a falta de interesse em aprofundar qualquer uma das personagens que criou, o roteirista Aguinaldo Silva ainda parece não adequar-se ao formato cinematográfico, investindo na tentativa de criar bordões - qualquer leigo sabe que só num produto televisivo há o tempo necessário para estabelecê-lo -, além de lançar sub-tramas que logo são esquecidas - como a garota de programa que rapta Baltazar, uma sequência que poderia ter sido descartada sem qualquer déficit para a narrativa.

O principal incômodo gerado por Crô - O Filme, no entanto, ainda não reside no roteiro e suas más decisões, mas sim no trabalho de Bruno Barreto e sua impressionante falta de foco com a abordagem que quer tomar. Se a abordagem cômica é falha, sua tentativa de criar uma atmosfera obscura em torno da trama criminal é inverossímil e desconfortável - especialmente quando esta aproxima-se de seu desfecho -, além da má escolha pela fotografia escura que atrapalha o clima cômico desejado e da insistência exagerada em planos abertos. De alguma forma, a condução do diretor consegue tornar arrastada uma narrativa com menos de 90 minutos.

Se tecnicamente também não há uma produção tão bem executada assim - repare nas falhas da inserção digital da cabeça adulta do protagonista num corpo infantil - e o trabalho de roteiro e direção contam com falhas admiráveis, a obra ainda prova-se moralmente reprovável, a partir de quando, após insistir num engajamento social - na questão do trabalho escravo, excessiva e expositivamente explicada através do diálogo de Vanusa que expõe o significado do trabalho escravo na atualidade, presumindo que seu espectador sequer saiba o que é isto -, acaba tornando Crô um verdadeiro super-herói salvador das trabalhadoras exploradas, justo ele, um homem que defende o sistema capitalista no qual toda dama burguesa deve ter um ser humano cujo único objetivo é ser seu subordinado. Para piorar, o longa ainda traz a infeliz prova de que o esterótipo exagerado da figura homossexual no Cinema ainda é aceita - e querida, como no caso - pela sociedade sem qualquer questionamento a seu respeito, recebendo ainda o investimento de empresas e do estado para ser realizada, quando já deveria há um bom tempo ter sido superada. Mas o pior de tudo isso é não ser capaz de gerar sequer sorrisos amarelos.

[Avaliação final: ¹/2]
                                           
Até a próxima.