quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O Destino de uma Nação


O subgênero das cinebiografias é muito mais povoado do que, em primeira impressão, aparenta ser - por óbvia razão: nos fascinam personagens que, embora notáveis e grandiosas, dividem conosco a pura e simples humanidade. Desde as tradicionais, retratos amplos e admiradores da vida e jornada de uma figura – exemplos são “Ray” (2004), de Taylor Hackford e “Jobs” (2013), de Joshua Michael Stern -, passando pelas ousadas e contestadoras – “The Doors” (1991), de Oliver Stone e “Bingo: O Rei das Manhãs” (2017), de Daniel Rezende – e, enfim, chegando àquelas que recortam e dramatizam um evento específico que seja metonímico da existência do protagonista, a exemplo de “Sniper Americano” (2014), de Clint Eastwood e deste O Destino de uma Nação, longa-metragem de Joe Wright integrante da lista de indicados ao Oscar de melhor filme em 2018.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Três Anúncios Para um Crime

“Cos you joined the gang, man.
And i don’t care if you never did shit or never saw shit or never heard shit. You joined the gang. You’re culpable.”
- Mildred Hayes

Há uma carga de intolerância e julgamento taxativo que caracteriza as relações humanas do nosso tempo. Tornou-se aceitável e, pasmem, comum reduzir seres humanos a definições binárias, excludentes e pouco significativas. Julgá-los por inteiro a partir de apenas um fator.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

The Post - A Guerra Secreta


A experiência fragmentada que marca a vida contemporânea contamina, inevitavelmente, a maneira como passamos a produzir e contar histórias. Narrativas perderam a percepção de integridade, a ideia da "experiência" que as envolvia foi dissolvida e, hoje, as acompanhamos, seja por streaming ou outros meios, de forma mais distanciada, resfriada, pensada sob o espectro da distração, da atenção dividida e, por consequência, reduzida. À narrativa tradicional, cabe nos reaproximar. Propor o (re)encanto. Com Meryl Streep e Tom Hanks como anfitriões e um experiente Steven Spielberg a guiar, The Post - A Guerra Secreta nos convida para uma boa história.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Todo o Dinheiro do Mundo


“Scott Free Productions.” Assim é chamada a produtora responsável por Todo o Dinheiro do Mundo, fundada pelos irmãos Ridley e Tony Scott há mais de três décadas. Tony Scott, nascido em 1944, trilhou sua trajetória nos confins do cinema de ação, estabelecendo uma marca própria no gênero, com sequências estilizadas e um ritmo refinadamente acelerado, sobretudo nas fases mais maduras da carreira – a franquia “John Wick” e o recente “Atômica”, por exemplo, bebem diretamente desta fonte -, até decidir tirar sua própria vida, em 2012, deixando-nos um legado importante, e muitas vezes subestimado. Ridley, nascido sete anos antes do irmão, ascendeu rapidamente para o alto escalão do cinema hollywoodiano graças ao sucesso de “Alien: O Oitavo Passageiro” e “Blade Runner – O Caçador de Androides” e, desde então, transita inconstantemente entre diferentes estilos e abordagens em produções grandiosas, habitualmente premiadas e progressivamente contestadas. Na última década, especializou-se na realização de “versões do diretor” nas quais, segundo o próprio, pode manifestar sua liberdade criativa sem as restrições impostas pelos estúdios. Trabalhar na “Scott Free” deve assegurá-lo de tal exercício. Mas liberdade para quê, Sir Ridley?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os melhores filmes de 2017

Meus 15 filmes favoritos de dois mil e dezessete:

15. John Wick: Um Novo Dia para Matar
(John Wick: Chapter 2, EUA/Hong Kong, 2017. De Chad Stahelski) ★★★½
14. Kong: A Ilha da Caveira
(Kong: Skull Island, EUA/China/Austrália/Canadá, 2017. De Jordan Vogt-Roberts.) ★★★½

13. A Qualquer Custo
(Hell or High Water, EUA, 2016. De David Mackenzie) ★★★★

12. Em Ritmo de Fuga
(Baby Driver, EUA/Reino Unido, 2017. De Edgar Wright) ★★★★

11. Guardiões da Galáxia: Volume 2
(Guardians of The Galaxy Vol.2, EUA/Nova Zelândia/Canadá, 2017. De James Gunn) ★★★★

10. Mãe!
(Mother!, EUA, 2017. De Darren Aronofsky) ★★★★

9. Como Nossos Pais
(idem, Brasil, 2017. De Laís Bodanzky) ★★★★

8. Bingo: O Rei das Manhãs
(idem, Brasil, 2017. De Daniel Rezende) ★★★★

7. Assassinato no Expresso Oriente
(Murder on the Orient Express, EUA/Reino Unido/Malta, 2017. De Kenneth Branagh) ★★★★

6. Baseado em Fatos Reais
(D’après une histoire vraie, França/Bélgica/Polônia, 2017. De Roman Polanski) ★★★★

5. Armas na Mesa
(Miss Sloane, EUA/França, 2016. De John Madden) ★★★★

4. Logan
(idem, EUA/Canadá/Austrália, 2017. De James Mangold) ★★★★½

3. A Vilã
(Ak-Nyeo, Coreia do Sul, 2017. De Byung-gil Yung) ★★★★½

2. O Formidável
(Le Redoutable, Itália/França/Mianmar, 2017. De Michel Hazanavicius) ★★★★½
















1. La La Land – Cantando Estações
(La La Land, EUA/Hong Kong, 2016. De Damien Chazelle) ★★★★★


Outras recomendações válidas: “Planeta dos Macacos: A Guerra”, de Matt Reeves; “Terra Selvagem”, de Taylor Sheridan; “Até o Último Homem”, de Mel Gibson; “Ao Cair da Noite”, de Trey Edward Schults; “Atrás há Relâmpagos”, de Julio Hernández Cordón.


Que este recém-iniciado 2018 seja afortunado com grandes filmes.